A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), representante do Brasil na entidade de padronização ISO, anunciou nesta quinta-feira (23) que vai se manifestar contra o formato de documentos abertos Open XML, tecnologia desenvolvida pela Microsoft e apoiada pela associação européia de fabricantes de eletrônicos, a ECMA.
O Open XML é um formato aberto para documentos eletrônicos (textos, planilhas, apresentações, etc.) que pode se tornar um padrão da indústria se aprovado pelo International Standardization Organization (ISO).
Atualmente, o único formato aberto de documentos aprovado pelo ISO é o ODF, desenvolvido pela comunidade de software livre e apoiado por empresas como Sun e IBM.
A eventual aprovação do Open XML pelo ISO não retiraria a chancela do organismo ao ODF, mas criaria uma alternativa suportada pela Microsoft, tradicional defensora do modelo de software proprietário. O tema gera grande controvérsia na indústria de TI.
Obter a chancela da ISO é importante porque confere grande credibilidade a uma nova tecnologia e impulsiona sua popularização no mundo. Afinal, isto significa que o formato aprovado é confiável, obteve apoio de vários países e associações e será suportado por grupos internacionais em temas como compatibilidade e documentação de atualizações.
Segundo Eugênio De Simone, diretor de normatização da ABTN, a decisão foi tomada após meses de discussões com representantes de empresas públicas, privadas, técnicos independentes e representantes da comunidade de software livre.
De Simone explica que o comitê formado pela ABTN apontou 63 restrições ao formato desenvolvido pela Microsoft, entre elas incompatibilidade com o calendário gregoriano, falta de suporte a idiomas como chinês e japonês, falhas de segurança e alto risco de contaminação por códigos maliciosos.
"O Brasil votará não com comentários. Isto quer dizer que, se no futuro, o formato Open XML atender a estes 63 comentários que fizemos, o país poderá votar sim na ISO."
Participam da ISO 154 países, todos com direito a voto, além de um grupo com diversas associações de empresas. Para ser aprovado, o Open XML precisa obter apoio de ao menos 67% dos 156 países com direito a voto além de não obter rejeição superior a 25% no universo composto pela soma dos votos de países e associações de empresas.
"O mecanismo de votação é complexo e é sempre muito difícil aprovar um novo formato"
Em nota, a Microsoft Brasil explicou não pode se posicionar neste momento sobre a decisão da ABNT pois ainda não teve acesso aos argumentos apresentados pelo comitê da ABTN.
Fonte: INFO Online
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